A quem interessa essa Marcha?
ARTIGOS 01-06-2018 - 10:08
   
 

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;

Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” – Mateus 6:19-21

Acabamos de chegar de mais um evento “Marcha para Jesus”. Mais uma vez vimos muita música (em todos os ritmos possíveis: do reggae ao funk, do pagode ao axé, e para fechar uma escola de samba gospel). Tudo isso com muita dança, coreografias, poses e muitas fotos. Sem contar as orações positivas, afirmando, impondo, decretando, tomando pose. Pisando, amarrando, expulsando o diabo e seus demônios. Tudo dentro do script de um evento neopentecostal. O que houve de novo para nós do Meeb (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira)???

Para nós que já participamos pelo nono ano não houve muitas novidades, porém alguns pontos precisam ser destacados:

1) Ainda não consigo entender o porquê das lideranças da Igreja Renascer orientar seus membros a fugirem dos nossos folhetos e virarem o rosto para nossas faixas. O que será que há de tão perigoso nos folhetos e faixas? Nesse ano muitos evitaram até dialogar conosco;

2) Porque as lideranças sempre citam o número de participantes aos milhões? Se há preocupação com o número de participantes, porque não contratar uma empresa ou permitir que órgãos especializados façam a aferição dos números? Estivemos lá e ficou evidente que em alegoria o evento não tirou nota 10. Havia muito espaço entre os trios elétricos, deixando claro que o pequeno número de presentes teve que ser tapado com manobras e técnicas alegóricas;

3) Nesse ano ficou evidente que o evento entrou de cabeça na campanha eleitoral. Os candidatos foram o destaque em todo percurso. Em um dos trios o assunto eleição e votos era falado em bom e alto som, fazendo diferenciação entre um candidato e outro. As principais lideranças vinham no alto do trio rodeados por presidenciáveis, assessores, candidatos ao senado e ao congresso. Ou seja, não há mais medo de esconder ou camuflar que as intenções estão além do evangelismo. Ou seja, a igreja quer usufruir do poder e para isto não medirá esforços;

4) Outro ponto que nos deixa intrigados é o fato de estarmos participando do evento há quase uma década e ainda muitos demostram espanto com os versículos bíblicos das nossas faixas. Minha conclusão é que, devido o grande trânsito religioso que se manifesta nestas instituições, muitos dos presentes estão participando pela primeira vez do evento;

5) Não consigo entender porque lideres no alto dos trios elétricos insistem em nos zombar, referindo-se aos poucos irmãos presentes do nosso lado e se exaltando pelo fato de eles estarem numa grande multidão. Ou seja, uma grande besteira.

 

Nisso me lembrei das duas grandes multidões que se manifestaram no ministério de Jesus:

1) A primeira multidão é a descrita em Marcos 6.30-56. A multidão dos famintos e dos que eram como ovelhas sem pastor. Jesus desafiou os discípulos a darem de comer para eles. E eles, impossibilitados pelos poucos recursos, nada podiam fazer. Jesus então pergunta: o que tens? Somente cinco pães e dois peixes. E foi o suficiente para alimentar a grande multidão. Fica evidente aqui que o grande milagre,    além da multiplicação, foi a compaixão com a  multidão. Jesus sempre deixou isto claro, pois seu ministério se fundamentava na proclamação do Reino de Deus na terra. Seu Reino não era deste mundo. Nesse sentido a Marcha nos revela que os propósitos das lideranças são mais terrenos do que celestiais, pois o foco está nos tesouros desta terra.

2) A segunda multidão está descrita em Lucas 23.20-21. O texto descreve a multidão que insistia em clamar em alto voz: crucifica-o, crucifica-o, referindo-se a Jesus diante de Pilatos. Mesmo Pilatos insistindo na inocência de Jesus o povo não teve misericórdia. Muitos dos que ali estavam com certeza também estiveram na primeira multidão. O porquê de tamanho ódio e esquecimento? Simples: a multidão é movida pelas emoções e sensações. A multidão nem sempre é racional, muitos só querem gozar os prazeres dispostos. O que podemos refletir aqui sobre o que vimos hoje na “tal Marcha para Jesus”? Dois pontos importantes:

1) A marcha e sua organização se perderam na essência e na identidade do evento, pois saíram da proclamação do Reino de Deus para a ganância de construir impérios terrenos. Para isso, insistem em trocar favores com os poderes da terra. A igreja brasileira e suas lideranças preferem depender mais de homens do que se render totalmente a vontade de Deus, o Criador. Não medem esforços para se prenderem em jugos desiguais com o mundo. Esta é a razão de vermos cada dia mais os púlpitos e eventos evangélicos com mais políticos e candidatos do que pastores.

2) A Marcha deixa evidente que a Igreja brasileira trocou a Espiritualidade pelo entretenimento. Trocou o sagrado pelo profano. Perderam-se e não sabem mais o caminho de volta às essências do cristianismo. Isto é manifesto no fato de se ver poucos espaços para a meditação e reflexão bíblica. Tudo gira em torno do determina, receba, tome posse, não importando se os processos fujam dos exemplos bíblicos. Bíblia aqui só é usada para dar o referencial religioso, porém ela é pouco explorada e vivida. Isso fica evidente no espanto de alguns ao se confrontarem com os versículos descritos em nossas faixas. Já tivemos a experiência de sermos confrontados por uma senhora que afirmava que o livro de Amós não tinha na relação bíblica. Ela só acreditou quando eu lhe mostrei o texto na sua própria bíblia. Isso é reflexo da pouca ou quase inexistente reflexão bíblica nestes eventos.

Concluindo: precisamos voltar ao Evangelho Puro e Simples de Jesus. Com razão, com entendimento. O povo sabe dançar, sabe fazer as coreografias, sabe determinar, sabe pisar no diabo, porém não sabe nada do cristianismo e suas essências. Sabem votar no candidato que o líder mandou votar, e é isto que importa em muitos ministérios. Não importa se a pessoa é mau caráter, ou adúltera, ou ladra. O importante é o fato de enriquecer o líder e o ministério. Sendo assim, muitos líderes vivem como reis, não se importando com a vida dos seus eclesianos. Assim caminha a igreja brasileira. Muitos preferem se omitir e fazer de conta que nada vêem. Nós, porém, escolhemos declarar que o $HOW TEM QUE PARAR. POR ISSO MAIS UMA VEZ ESTIVEMOS LÁ PARA DESPERTAR A CONSCIÊNCIA DE ALGUNS.

Que todos e todas que ousaram ler nossas faixas e nossos folhetos possam ser libertos das prisões institucionais, alcançando a liberdade que só tem quem está em Cristo Jesus.

A Deus toda honra e toda glória. Somos simplesmente servos, proclamando um Reino que não é deste mundo.


Por Paulo Siqueira

Fonte: https://pedrasclamam.wordpress.com/

 

 
 
 
 
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